
O DJI Neo 2 chegou ao Brasil como o drone mais acessível e compacto da linha DJI, com preços a partir de R$ 2.490. Mas será que dá para trabalhar com o DJI Neo 2 de forma profissional, ou ele serve só para uso recreativo? Fizemos um teste de voo real — decolagem, sensores, autonomia e recursos automáticos — para responder essa pergunta com base na prática, não só na ficha técnica.
Assista ao teste completo no vídeo abaixo:
O que é o DJI Neo 2
Lançado em novembro de 2025, o DJI Neo 2 é o sucessor do DJI Neo original e pesa apenas 151g (160g com o transmissor digital O4), ficando abaixo do limite de 250g que dispensa algumas exigências regulatórias mais rígidas para operação. Entre as principais características:
- ·Câmera com sensor 1/2" CMOS de 12MP, gravação em 4K 60fps (4K 100fps em câmera lenta)
- ·Gimbal de 2 eixos com estabilização RockSteady
- ·Sensores anticolisão omnidirecionais + LiDAR frontal
- ·Decolagem e pouso na mão, sem precisar de solo liso
- ·Armazenamento interno de 49GB (sem slot para cartão de memória)
- ·Autonomia anunciada pela DJI de até 19 minutos por bateria
- ·Alcance de controle de até 500m via Wi-Fi direto do celular, ou até 10km com o transmissor O4
- ·Preços no Brasil: de R$ 2.490 (só o drone) a R$ 6.590 (combo Motion Fly More)
Testamos o DJI Neo 2 em campo: como foi
Decolagem e pouso na mão
Em terrenos com pedra, areia ou poeira — comuns em trabalhos externos — o trem de pouso baixo do Neo 2 é um risco: qualquer detrito pode travar a hélice ou entrar no motor. A solução mais segura é decolar direto da mão: basta segurar o drone por baixo e apertar o botão de decolagem automática, sem precisar de uma superfície plana.
Estabilização de imagem e alcance de sinal
No ar, o gimbal de 2 eixos segurou bem a imagem mesmo com giros no próprio eixo e vento de leve a moderado. Um ponto de atenção para quem pensa em usar o Neo 2 para trabalho com drone: sem o transmissor O4 (o "transceptor"), o alcance cai para cerca de 500m via Wi-Fi direto do celular — insuficiente para muitos serviços profissionais. Com o transmissor, o alcance sobe bastante (a DJI promete até 10km, e no nosso teste prático o sinal se manteve estável em distâncias de 150m sem qualquer degradação de imagem).
Sensor anticolisão 360°
Um dos maiores diferenciais do Neo 2 em relação a drones de entrada mais antigos é o sensor anticolisão omnidirecional, que detecta obstáculos na frente, nas laterais e atrás do drone — inclusive durante giros. No teste, o sensor identificou um caminhão estacionado próximo e manteve a detecção mesmo com o drone girando em torno do próprio eixo, o que dá mais segurança para operar perto de construções, veículos e pessoas em serviços comerciais.
Modo órbita automática (PDL) para quem está começando
Um dos recursos mais úteis para quem está começando a trabalhar com drone profissionalmente é o modo de órbita automática. Basta marcar o objeto ou prédio na tela e escolher a opção de giro (PDL): o drone faz sozinho uma órbita completa ou semiórbita ao redor do alvo, mantendo estabilidade perfeita — o tipo de tomada que normalmente exigiria bastante prática manual para sair sem tremores. É possível ajustar a velocidade, inverter o sentido do giro, se afastar ou subir durante a órbita, e até capturar fotos automaticamente durante o movimento.
Autonomia real da bateria: o que a DJI não conta
Aqui está um dos pontos mais importantes para quem pensa em cobrar por serviços com o Neo 2. A DJI anuncia até 19 minutos de voo por bateria, mas no teste real a autonomia ficou entre 10 e 11 minutos por bateria — mesmo com as três baterias do combo Fly More. Isso exige um planejamento de voo mais rigoroso: para não ficar sem bateria no meio de uma captação e comprometer a entrega para o cliente, é essencial definir antes o que será filmado em cada bateria.
Armazenamento interno e backup
O Neo 2 não tem slot para cartão de memória — toda a gravação fica em uma memória interna de 49GB. Isso torna o hábito de fazer backup das imagens a cada voo ainda mais importante, principalmente em jornadas de trabalho com múltiplos voos no mesmo dia.
Recursos de pouso seguro
Para quem está começando, o Neo 2 facilita o pouso com um indicador visual (um "H") que aparece na tela sempre voltado para o ponto de decolagem, além de um mapa com uma linha vermelha indicando o caminho mais curto de volta à base — útil em caso de perda de referência visual durante o voo. O drone também dá alertas de vento forte e avisa quando não consegue retornar sozinho à base, mesmo mantendo estabilidade de voo durante o alerta.
DJI Neo 2 vale a pena para trabalhar com drone?
Prós para uso profissional
- ·Peso e tamanho reduzidos facilitam o transporte e a decolagem em locais apertados
- ·Sensor anticolisão 360° e LiDAR aumentam a segurança em ambientes urbanos e próximos a obstáculos
- ·Modo órbita automática entrega tomadas estáveis mesmo para quem está começando
- ·Imagem em 4K com boa estabilização, suficiente para conteúdo comercial e redes sociais
- ·Preço de entrada baixo (a partir de R$ 2.490) reduz a barreira para começar a prestar serviços
Limitações a considerar
- ·Autonomia real de 10-11 minutos por bateria exige planejamento rigoroso de voo
- ·Alcance de apenas ~500m sem o transmissor O4 limita alguns tipos de serviço
- ·Sem slot de cartão de memória, obrigando backup constante da memória interna de 49GB
- ·Como todo drone leve, é mais sensível a rajadas de vento fortes
Quanto custa o DJI Neo 2 no Brasil
| Versão | Preço |
|---|---|
| DJI Neo 2 (apenas drone) | R$ 2.490 |
| DJI Neo 2 Fly More Combo (sem controle) | R$ 3.390 |
| DJI Neo 2 Fly More Combo | R$ 4.590 |
| DJI Neo 2 Motion Fly More Combo | R$ 6.590 |
Qual versão eu compraria?
Na minha opinião, para quem quer prestar serviços, o melhor custo-benefício é o DJI Neo 2 Fly More Combo com rádio controle (o sem tela). Explico o porquê: a versão sem rádio nenhum, pilotando direto pelo celular, é horrível de controlar — não recomendo para trabalho. O rádio com tela embutida é excelente, mas só vale se você tem verba sobrando, porque encarece bastante. Já o rádio sem tela, usado com o celular, funciona muito bem e é o equilíbrio ideal. A versão Motion eu só compraria se fosse 100% para lazer. No fim das contas, o que faz diferença na pilotagem para prestação de serviços são os sticks do rádio: eles dão a precisão que o controle por tela de celular não entrega.
Como começar a trabalhar com drones
Ter um bom equipamento é só parte do caminho para transformar drone em fonte de renda: também é preciso conhecer a legislação, saber precificar serviços e desenvolver técnica de voo. Para quem quer começar com segurança, vale conferir o curso de pilotagem online e o Mastercod da CallDrone, além da tabela de serviços com drone para entender como precificar cada tipo de trabalho.
Curso de Pilotagem OnlineTabela de serviços com droneConclusão
No teste prático, o DJI Neo 2 se mostrou um drone competente para quem está começando a trabalhar com drone: sensores de segurança, boa estabilização de imagem e recursos automáticos que facilitam tomadas profissionais mesmo para iniciantes. A autonomia real abaixo do anunciado e o alcance limitado sem o transmissor O4 são pontos a considerar no planejamento de cada serviço, mas não impedem o uso comercial — especialmente para filmagens de imóveis, eventos locais e conteúdo para redes sociais. Para trabalhos que exigem mais alcance, autonomia ou resistência a vento, drones da linha Mavic ou Air seguem como opção mais robusta, mas como porta de entrada para o mercado de drones, o Neo 2 cumpre o que promete.
Quer aprender a pilotar um DJI Neo com segurança e técnica profissional? Conheça nosso curso de pilotagem online e comece a trabalhar com drones do jeito certo.
Ver o curso de pilotagem online